quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Esqueceram o sorriso.

Juro que não entendo essa gente.
Juro por Nossa Senhora.
Eles ficam por aí, com suas maletas, indo de cima para baixo. Entram em carrões, sobem em elevadores, sempre com o cabelo posto para trás naquela papa de gel. Nunca pedem desculpa nem licensa, com o nariz em apontado na direção onde querem ir. Depois de tudo, jogam tênis, comem salmão e tomam vinho. Sempre tão ocupados, sempre cheios de coisas para fazer, sempre fazendo nada que preste.
Pode parecer vingança minha pensar desse jeito, a forma de um maltrapilho poeta expressar sua raiva contra a burguesia arrogante (antiga essa idéia), mas não encontro alegria nesse mundo. Seja na minha vida, seja na deles.
Caramba, nem de salmão eu gosto!
E aí faz-se um monte de artigos úteis nas revistas de alta classe: cosméticos, tendências de moda, aquisições de empresas por outras, fotos, fotos, fotos e fotos dos sujeitos abraçados com famosos, políticos, travestis, o raio-que-o-parta, sempre sorrindo.
Competição do sorriso mais falso.
Para falar a verdade, eu tenho dó deles. Realmente tenho. Me lembro que outro dia, enquanto eu estava me arrastando lá pelas bandas da Paulista, entre todos aqueles árabes, japoneses e americanos, trombei com um sujeito desse.  Ele estava correndo, com certeza atrasado, e na queda partiu o óculos. Esfregando aquela armação na minha cara, gritou perguntando se eu tinha alguma idéia de quanto custava um original Óaquilei. Me mandou para tantos lugares que eu fiquei indeciso para onde ir primeiro, e finalmente largou meu colarinho. Tentei oferecer algumas notas que estavam amassadas no meu bolso, mas ele já tinha sumido no meio da multidão. Fiquei largado no chão, no meio de tantas pessoas que iam e viam.
De todos os lados, indo e vindo. Tão ocupadas. Tão perfeitas, com o cabelo tão empapado...

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